A NASA VAI A MARTE

Hoje, dia 26 de Novembro de 2018, as parangonas dos jornais engalanam-se com a aterragem prevista em Marte de uma sonda robótica da NASA, a inSight. É coisa leve e mui pequena, com a forma de uma mesa de tampo circular com 1,56 m de diâmetro e 1 metro de altura, e cerca de 350 kg de peso. Leva três instrumentos e um braço mecânico para os movimentar. Dizem-nos que vai examinar o interior do planeta vermelho, especialmente a sua temperatura e actividade sísmica. Depois de mais de dois anos de avarias e adiamentos, a sonda foi lançada em Maio de 2018. Estamos a fazer figas para que não se desintegre na aterragem, o que é bem possível.

Tudo isto me fez pensar no que DUTTON e MENIE escreveram nas três primeiras páginas do seu recente livro At Our Wits’ End, uma obra sobre a decadência intelectual da humanidade, a qual parece ter vindo a acentuar-se nas últimas décadas. Recomendo-vos a leitura destas páginas, como aperitivo à aterragem (ou será ‘amartagem’?) do inSight. Vai com Deus, pequena sonda. Vai com Deus.

Eis aqui as páginas de abertura desse livro: Continuar a ler

Sobre as heras trepadeiras

costa e cachecol

9. Qualquer tipo de hera tem raízes múltiplas e espessas, entrelaçadas umas nas outras, lenhosas, grossas e não demasiado profundas; estas são características em particular da negra e das variedades mais rudes e mais selvagens da branca. Por isso prejudica todas as árvores da vizinhança, porque, ao roubar-lhes a nutrição, as destrói e faz secar. É sobretudo esta variedade a que ganha grossura e se arboriza, tornando-se uma hera arborizada independente; porque, em geral, a hera procura encostar-se a outra árvore, e tende a ser parasita.

10. Logo desde o início tem também esta particularidade natural: a de, a partir dos rebentos, projectar sempre, no meio das folhas, raízes, que lhe permitem agarrar-se às árvores e aos muros, como se a natureza as tivesse formado com esse propósito. Eis porque, ao extrair e consumir a seiva, ela seca aquela a que se agarra, que, se se cortar pela base, consegue resistir e sobreviver. Apresenta ainda uma outra diferença não despicienda quanto ao fruto que, tanto na branca como na negra, ora é adocicado, ora extremamente ácido. Prova disso é que as aves consomem um e o outro não. Eis o que há a dizer sobre a hera. 

Teofrasto, História das Plantas, III: 18.9-10.