Um ensaio de Ortega y Gasset

Escrevendo em plena Guerra Civil espanhola e no dealbar da Segunda Grande Guerra, em Dezembro de 1937, e a partir de Paris, Ortega y Gasset publica numa revista inglesa, e dirigido essencialmente ao público britânico, mas não só, um ensaio sobre a Europa, o direito entre as nações e a natureza mais profunda da paz. Intitulou este ensaio Sobre o Pacifismo, o qual tinha sido uma posição política quase unânime em Inglaterra a partir de 1919, quer entre a classe política, quer na opinião pública, e conduzira em consequência disso a uma espécie de desarmamento unilateral do país. Mas o pacifismo é, neste escrito de Ortega, o pretexto para a discussão de temas mais profundos e mais fundamentais, no sentido que esta palavra assume normalmente em filosofia, isto é, relativo aos fundamentos.

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O futuro da Europa

Enquanto por cá discutimos a lana caprina, num discurso autista e muito tonsural, a Europa morre.

Esta morte não é para amanhã, mas acontecerá dentro de vinte anos. Ou quinze. Ou vinte e cinco. O prazo não é obviamente precisável ao detalhe, mas a derrocada da nossa civilização é irreversível. Cairão os países um a um, talvez a França primeiro, ou a Bélgica, ou a Dinamarca. Depois a Grã-Bretanha, que resistiu a Hitler, mas se revelará incapaz de vencer o inimigo interior, as legiões de muçulmanos que as coelheiras prolixas das grandes cidades, alimentadas a subsídios do Estado, multiplicam em vagas apocalípticas. Depois o al-Andaluz, um espaço especialmente relevante, pois ainda hoje é considerado, no discurso político oficial do Islão, como terra islâmica, como al Islam.

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