Elogio de Jerónimo de Sousa

Uma característica das democracias representativas é o facto de os políticos serem escolhidos, não pelos seus pares, mas pelas massas, ou mais exactamente pelo que deveríamos chamar A Massa. Veja-se o caso português: entre nós o Presidente da República é eleito por mais de metade dos cidadãos que em cada acto eleitoral vão até às urnas, uma mole inquietante de três milhões de almas, ou algo perto disso. Da mesma maneira, a escolha do chefe do governo exige quase sempre uma maioria de eleitores nos distritos eleitorais, um número que, somado, não será inferior a dois milhões. Para sinecuras menos imponentes, por exemplo os municípios ou as freguesias, os votos necessários não são tantos, mas ainda assim constituem uma pequena multidão, quer dizer, são também massa. Mais de dez mil na minha pequena Bila, quinhentos ou um milhar nas aldeias espalhadas pelas serranias. Continuar a ler