A favor do Comércio Livre e da Limitação da Imigração

A favor do Comércio Livre e da Limitação da Imigração

Ainda a propósito do post anterior deste blogue (o discurso de Enoch Powell), seria certamente útil ler as considerações do conhecido economista e politólogo libertário Hans-Hermann Hoppe sobre esta matéria, isto é, sobre o direito e a necessidade de as sociedades organizadas restringirem a imigração para os seus territórios – e isso de uma forma particularmente cuidadosa no caso das sociedades prósperas, como o são as ocidentais e as sociedades industriais desenvolvidas do extremo-oriente. Ao contrário do que muita gente desta área política pensa, existe uma relação de princípio entre a essência do comércio livre e a regulação da imigração, na medida em que esta, se não for expressamente autorizada pelos habitantes da região de destino, constitui uma efectiva invasão do espaço privado destes, ou seja, para usar a expressão de Hoppe, uma invasão de propriedade ‘sem convite’.

O artigo de Hoppe a que me refiro pode ser lido aqui. Foi originalmente publicado em 1998, no Journal of Libertarian Studies, 13, 2: 221-233, e pode ser descarregado em formato pdf aqui.

Rios de Sangue

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Há um pouco mais de cinquenta anos, no dia 20 de Abril de 1968, o classicista e político inglês Enoch Powell, então membro destacado do Partido Conservador britânico, pronunciou um discurso sobre os perigos da imigração irrestrita no Reino Unido. Este discurso ficou conhecido como o “Discurso dos Rios de Sangue”, por causa de uma referência à Eneida de Virgílio, que ocorre perto do fim: “E, quando olho para o futuro, invade-me um pressentimento funesto; tal como os romanos, parece-me ver o rio Tibre fervilhando de tanto sangue.” O discurso, lido num encontro de uma Associação Conservadora em Birmingham (ó, a ironia!)  provocou uma comoção tremenda no país, com muita gente a acusar Powell de racismo. Edward Heath, o leader dos Conservadores, demitiu Powell do seu gabinete sombra. Numa sondagem Gallup realizada em 30 de Abril, 74% dos inquiridos concordaram com o discurso e 15% discordaram. Em 1970, dois anos depois, os conservadores recuperaram o governo numas eleições que venceram por larga margem, um sucesso atribuído por muitos a Enoch Powell.

Cinquenta anos depois, compete aos leitores ajuizarem da profecia de Enoch.

O discurso é o seguinte (em inglês):

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The supreme function of statesmanship is to provide against preventable evils. In seeking to do so, it encounters obstacles which are deeply rooted in human nature.

One is that by the very order of things such evils are not demonstrable until they have occurred: at each stage in their onset there is room for doubt and for dispute whether they be real or imaginary. By the same token, they attract little attention in comparison with current troubles, which are both indisputable and pressing: whence the besetting temptation of all politics to concern itself with the immediate present at the expense of the future.

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