A rainha Mab

A rainha Mab

Sofro intermitentemente de uma estranha condição chamada Paralisia do Sono. Falar aqui da coisa não vem ao caso, muito menos dissecar a sua etiologia ou fazer prognósticos. Há, para os interessados, abundante bibliografia, em especial em línguas estrangeiras. Talvez se possa recomendar, a título de exemplo, o livro de Shelley L. Adler, Sleep Paralysis. Night-mares, Nocebos, and the Mind-Body Connection (2001, Rutgers University Press), ou o website de J.A. Cheyne sobre o assunto (http://watarts.uwaterloo.ca/~acheyne/).

Esta patologia do sono é conhecida desde tempos imemoriais e inscreve-se num complexo de referências folclóricas cujo elemento central é uma personagem chamada Mare. O Mare é um goblin, ou, como se diz pelas nossas bandas, um tardo ou insonho (em Trás-os-Montes, também trasgo), isto é, uma espécie de duende malévolo, ora masculino, ora feminino, que aparece no sono das pessoas e procura asfixia-las fazendo pressão sobre o seu peito. Daí a expressão inglesa nightmare (mais propriamente night-mare), o que, em português, se traduz aptamente por pesadelo.

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