Salazares até ao fundo

Há nos arredores da Bila uma aldeia pequena e muito pobre onde se faz desde tempos imemoriais uma olaria de barro escuro. A aldeia chama-se Bisalhães. No dia de São Pedro, que é o dia 29 de Junho, faz-se uma feira na Bila onde se expõem e vendem, na rua fronteira à Capela Nova, os produtos da aldeia. É uma tradição local, sustentada por cada vez menos fabricantes. Restam hoje, dizem-me, não mais de meia dúzia. A Câmara, num esforço de apoio à actividade, dispôs há uns anos atrás uns espaços abarracados numa espécie de avenida à entrada da Bila (tudo é uma espécie de avenida na Bila), para quem vem do Porto (na Bila tudo vem do Porto), e onde os turistas podem comprar umas peças da famosa olaria negra. Dizem que ficam bem em cima de um armário de cozinha, a dar o toque de rusticidade num tête-à-tête nonchalante com a porcelana Qing. Coisa chique.

Bisa cópia

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Le Portugal

No seu livro de 2014, Threats of Pain and Ruin, o ensaísta inglês Theodore Dalrymple escreve a dado passo sobre Portugal, a propósito de um velho livro de viagens de 1956 e que ele encontrou em casa de uma amiga recentemente falecida. Este livro de viagens é o Le Portugal, de um escritor francês, Yves Bottineau, com fotografias de um tal Yan. Paris, edição Arthaud.

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