O Futuro já chegou

Achais que não se pode prever o futuro? Que o dom da profecia foi uma superstição de rústicos da idade do bronze? Que o Espírito se calou de vez e Deus já não sussurra aos ouvidos dos seus o que Ele quer que os homens saibam? Que já não há Verdade?

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Então lêde esta passagem de Dostoievski, escrita em 1881. O Inquisidor fala com Cristo e descreve-lhe com minúcia exacta o que hoje está a acontecer. E o que vem aí, a galope, pela mão dos zeladores da humanidade, os Grandes Humanistas, o Concílio da Bondade Universal, os Cientistas e os Crentes da Igreja do Bem, o Papa da Roma Pachamama, os Oficiantes da Grande Obediência, os oráculos da Razão Universal, os zurzidores da Superstição e da Diferença, os perseguidores da Matemática, da Metafísica e de Mozart, os promotores da Felicidade e da Segurança e da Igualdade e da Indistinção. E esta vai finalmente estender-se por toda a terra, como um caldo morno e confortável, e o milénio durará exactamente mil anos. Continuar a ler

O Bom Carniceiro

Exposta à contemplação universal a governação desmedida de Estaline, os ideólogos têm defendido o comunismo imputando àquele, e não a este, a carnificina. Estaline seria um caso anómalo, face ao qual os apologistas erguem, como exemplo contrastante, a benevolência de Lenine, o piedoso.

Hélas, Lenine não resiste à prova dos números.

Jacques Baynac, ele mesmo um marxista francês, socialista libertário, editou em 1975 um interessante livro sobre o Terror no tempo de Lenine  a que chamou, para o distinguir do Terror Estalinista, o Primeiro Terror. Na introdução da obra, Baynac apresenta um cálculo aproximado das mortes perpetradas por Lenine e pelo Partido Bolchevique no breve período de dezanove meses e meio entre 1918 e 1920. O resultado é um número que excede, em média, o das execuções e liquidações de Estaline.

Tanto pior para Lenine.

Baynac, como bom marxista, quer pôr Marx a salvo deste vórtice contabilístico. Na nossa opinião, estes números estão já contidos em potência no Das Kapital. Mas esta é matéria para outras conversas. Fiquemo-nos para já apenas com a contabilidade sinistra do Santo Fundador da Revolução Russa.
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