Sobre as heras trepadeiras

costa e cachecol

9. Qualquer tipo de hera tem raízes múltiplas e espessas, entrelaçadas umas nas outras, lenhosas, grossas e não demasiado profundas; estas são características em particular da negra e das variedades mais rudes e mais selvagens da branca. Por isso prejudica todas as árvores da vizinhança, porque, ao roubar-lhes a nutrição, as destrói e faz secar. É sobretudo esta variedade a que ganha grossura e se arboriza, tornando-se uma hera arborizada independente; porque, em geral, a hera procura encostar-se a outra árvore, e tende a ser parasita.

10. Logo desde o início tem também esta particularidade natural: a de, a partir dos rebentos, projectar sempre, no meio das folhas, raízes, que lhe permitem agarrar-se às árvores e aos muros, como se a natureza as tivesse formado com esse propósito. Eis porque, ao extrair e consumir a seiva, ela seca aquela a que se agarra, que, se se cortar pela base, consegue resistir e sobreviver. Apresenta ainda uma outra diferença não despicienda quanto ao fruto que, tanto na branca como na negra, ora é adocicado, ora extremamente ácido. Prova disso é que as aves consomem um e o outro não. Eis o que há a dizer sobre a hera. 

Teofrasto, História das Plantas, III: 18.9-10.

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